sábado, 20 de dezembro de 2008

Continuando com os Maias...

Depois de andar por entre os blocos de concreto caídos, vendo fumaça em todos os lados, ouvindo gritos e carros apressados. Depois de presenciar o assassinato de tanta gente e coisa, disfrutar o roubo de um banco e ver dinheiro sendo queimado. Depois de ver os extremos tão de perto, a cura para doença alguma, a esperança de não sentir dor, mas já sentindo.
Depois de tudo isso, percebo que não quero ficar para ver o fim. É muito triste, eu sei, mas não sinto nada e isso me incomoda. Eu podia ter mudado o mundo se quisesse. Podia ter quebrado as regras, ter dado um soco em um tarado, atirado num assassino, surtado contra os egocentricos, abraçado os bichinhos, dado comida para quem não tem. Eu podia ter feito tanta coisa, mudado tanta gente, mas sempre achei que não poderia, que seria impossível devido minha condição financeira confortável de mais para mim perceber.
Mas que diferença faria agora? Eles querem vida e isso eu só tenho uma. A minha. E daqui a pouco não a terei mais.
Já chega de tanto desespero.

Fecho os olhos enquanto me sento na sombra de um prédio. Eu sinto o chão tremer e me sinto bem com isso. Já, já irá terminar.

Gritos ao longe. O prédio caiu.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Segundo os Maias...

Ninguém disse que seria fácil ver o fim assim tão perto. Pessoas dominadas pela loucura, disputando maneiras de acabar com a agonia.
O que se espera de um fim que já começou? Assim tão perto da morte não há quem distinga classe ou cor.
"Existiu vida antes da nossa e existirá depois". Talvez os povos antigos podem ter errado pelo menos nessa previsão. Eles estavam tranqüilos, por eles tanto faz. Previsões de quem já acertou tanto, errar justo no fim? Eu nunca entendi o motivo dessa fixação pelo ponto final da existência humana. Nosso último ano na Terra. Não fazia sentido, não até agora.
Sejamos honestos que alcançamos um nível de evolução extremo, que inventos inúteis surgem cada vez mais, pois tudo o que poderia ser útil já foi inventado. Estamos folgados, estamos em crise, não estamos nem aí.
Mas olhando em volta, percebo que é muita crueldade destroçar os sonhos de tantos seres que só queriam um espacinho na sociedade. Tantas conquistas que não irão acontecer. Tantas crianças que não irão nascer.
Me disseram uma vez que a pior morte é por afogamento. Se eles tivessem visto o que vejo hoje, acredito que mudariam de idéia. A pior morte é por descrença.
Até agora não sabia que existiam tantas maneiras de acabar com a própria vida. Ainda não decidi pela minha, se torna mais difícil quando você, mesmo não querendo, não tem alternativa. Vou devagar pela rua, talvez tenha algum tipo de sorte mórbida, ou encontre uma solução razoável... não sei.

Esse ano ninguém desejou "Feliz 2012".

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O peso

As mãos quentes entram em contraste com o metal frio. A força da coragem foi substituída pela fraqueza da covardia. O que antes estava firme, agora pesa toneladas. A idéia. A arma. Não seria capaz de matar um não-inseto. Não por falta de coragem. Não por falta de vontade. Por falta de gelo no copo de sentimentalismo.
Ela estava ali, sobre sua posse. Havia desejado tanto te-la. E agora? Só feriria o reflexo do espelho. Seu idealismo não permitia ao menos acabar consigo.
Por falta de coragem. Não de matar. Não de morrer. Mas de privar. Não seria capaz de privar um ser não-inseto de viver.

Naquele momento até mesmo uma barata parecia mais humana que ela. Naquele momento a arma deslizou de volta para sua imaginação. Seu coração - até então acelerado - voltou ao ritmo normal. Toda a angústia transbordou por seus olhos.

O metal frio na mão trêmula. A coragem num ser vazio. Era ela, sem ser.

Entre idéias impensáveis mais um desenho surge das trevas cerebrais.

sábado, 27 de setembro de 2008

Rotina

Andando entre algarismos romanos. Fugindo de ponteiros furiosos. Querendo que um dia a pilha acabe. Mas correndo até que aconteça. Um escravo mal-pago de um senhor não-visto.

Vestir. A camisa-de-força só dificulta as coisas. Ser louco, sendo livre. Sem ser livre.

Complexo de mais. Comum de mais. Marchando à frente do tempo, e atrás?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Seria? Será?

Corre, corre, mais rápido. A porta, mais à frente. Falta pouco. Corre... corre... Não! Por favor não parem! Rápido. A porta.
A saída. O fim. O começo. Rápido. Vamos pés, não me deixem na mão. Mãos não correm bem. Rápido!
Maçaneta fria. Trancada. Trancada!
A chave... chave... chave... Abriu.

Ar quente e vento frio.

Maçãs. Árvores. Grama. Verdes. Seria o paraíso?


Onde está o McDonald's?!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

No telhado...

Ela subiu no telhado. Foi um tanto quanto inusitado, ela foi lá e subiu no telhado.
O allstar velho fazendo ranger telhas cinzas e frágeis. O céu estava azul, o vento era mais forte lá, os sons mais fracos. Havia sujeira, folhas velhas e secas, materiais organicos de pássarinhos.
Os parafusos já estavam enferrujados e ela sentia que a qualquer momento poderia cair. Mas ela subiu no telhado.
Lá de cima o mundo era pequeno. A movimentação, as preocupações e até mesmo o tempo não a alcançavam. Ela sentou no telhado.
E lá esperou, que o tempo passasse, que as pessoas se acostumassem com sua imagem no telhado.
E alguns berraram, outros riram, de resto ela nem sabe mais. Ela se deitou no telhado. E o sono veio e os pássaros passaram e ela ficou todo o dia no telhado.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Descoberta

Ela era uma criança, gostava de brincar e esse era o seu dever. Não escrevia ou se quer sabia ler. Tinha um amigo, que mesmo o conhecendo pouco, seria para sempre.
Foram apresentados sem muita formalidade, na verdade quem os apresentou procurou distração para ambos, mais para ela.
E um dia a puseram sentada numa cadeira dura, com uma mesinha na frente, em uma escola pública e lhe deram uma folha. Branca, lisinha, até meio quente, recém saída do pacote. Linda.
Avistou seu amigo, o pegou e viu que os três formavam a combinação mais bonita que ela conhecia. A menina, o papel e o lápis, juntos, criaram um mundo só deles, que todos viam, poucos entendiam e ninguém podia fazer parte.
Deram um nome para isso, desenho livre.
Naquele momento, todos em sua sala faziam seus próprios desenhos livres, todos tinham os mesmos dons. Todos pintavam rostos de verde e desenhavam Sol com óculos e boca.
Eles crescem, ela também, eles descobriram dons de verdade, ela também. Alguns tocavam música, outros faziam cálculos, outros contavam histórias, mas ela... ela desenhava. Ela desenha.

Era uma criança que descobriu uma paixão.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Situações

Eu estava sem assuntos para uma nova postagem no blog e quem diria que uma ida ao dentista me daria inspiração?

16:00 PM e meu destino estava traçado, sou pessoa considerada caseira, do tipo que só saí à pé se for realmente importante ou se não tem escapatória. E sempre, sempre que tenho que encarar uma das coisas mais detestáveis da minha vida, tenho caminhar para isso. Ir ao dentista.
Pode parecer coisa de criança, talvez seja, mas eu detesto ir ao dentista, porque sempre saio de lá com uma novidade ruim. Meu problema de cálcio deixa marcas claras nos meus dentinhos.
Hoje ao sair de casa meu estado de espírito estava calmo, calmo de mais eu diria. Percebi isso assim que atravessei a avenida na frente da minha casa, apesar dos carros e bicicletas apenas dois barulhos me chamaram atenção a ponto de me virar para saber o que era. Uma sacola plástica amarrada em uma cerca de arame e um copo (plástico também) esmagado voando com o vento. Barulhos imperceptíveis para o homem apressado de hoje.
A rua estava calma, não tinha muitos carros, tanto que nem tive que esperar para atravessá-la. Calma o suficiente para poder acompanhar a dança das árvores com o vento. Um vento não tão forte para ser considerado ventania, nem tão fraco para ser uma brisa, que fazia as palmeiras e os sombreiros dançarem em conjunto com sua orquestra pessoal.
Nessa rua, minha rua, há pelo menos quatro dentistas e obviamente o meu é o mais distante de todos. Não que isso signifique longe, só que é o último da minha direção. Ele está ali desde que me mudei anos atrás.
Se minha ida ao dentista fosse a introdução de um filme consigo vizualizar a câmera focada no meu tenis enquanto ando, depois na minha careta de sol, depois na sacola, no copo e nas árvores, para aí mostrar minha entrada no consultório, enquanto me preparo para sentar na cadeira azul e dura, no mesmo lugar que sempre me sento na salinha de espera e faço o que sempre faço enquanto espero, mexo nas unhas, com a cabeça baixa e só levanto o olhar para cumprimentar outros pacientes e a secretária. Se fosse um filme, nesse exato momento a câmera focaria meu susto com a nova secretária. A antiga estava lá desde que eu tinha nove anos! Como ousa mudar de secretária? Ela nem sabe meu nome.
Foi desesperador, acredite. Uma das poucas coisas que me acalmam ao ir ao dentista é ter a certeza que tudo estará do mesmo jeito de sempre, sem novidades ou surpresas. Fiquei aliviada quando soube que a antiga secretária ainda trabalhava ali.
Depois da consulta fui para casa, as árvores não cantavam mais, a sacola ainda estava amarrada e perdi o copo de vista.

post original escrito em 17/07/2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

Começo

Tentando obter algum contato alienígena... alô! alô!

Tentativa fracassada essa minha, tentarei pelo celular da próxima.

Isso só para tentar mandar um "Oi, sou nova aqui" para os poucos seres que devem estar lendo isso. Estou em fase de adaptação, por isso me sinto um ser estranho em local desconhecido. Mas me sinto assim quase que o tempo todo.

Eu não sei o que irei postar daqui uns dias, sobre quais assuntos irei tratar ou se só irei descrever como foi o meu tedioso dia, por isso (talvez) o título seja Mudando de assunto.

Minha inspiração acabou de fugir, então termino aqui.
Créditos a
www.sotaodab.blogspot.com por ter me convencido a criar um blog ;)