terça-feira, 29 de julho de 2008

Descoberta

Ela era uma criança, gostava de brincar e esse era o seu dever. Não escrevia ou se quer sabia ler. Tinha um amigo, que mesmo o conhecendo pouco, seria para sempre.
Foram apresentados sem muita formalidade, na verdade quem os apresentou procurou distração para ambos, mais para ela.
E um dia a puseram sentada numa cadeira dura, com uma mesinha na frente, em uma escola pública e lhe deram uma folha. Branca, lisinha, até meio quente, recém saída do pacote. Linda.
Avistou seu amigo, o pegou e viu que os três formavam a combinação mais bonita que ela conhecia. A menina, o papel e o lápis, juntos, criaram um mundo só deles, que todos viam, poucos entendiam e ninguém podia fazer parte.
Deram um nome para isso, desenho livre.
Naquele momento, todos em sua sala faziam seus próprios desenhos livres, todos tinham os mesmos dons. Todos pintavam rostos de verde e desenhavam Sol com óculos e boca.
Eles crescem, ela também, eles descobriram dons de verdade, ela também. Alguns tocavam música, outros faziam cálculos, outros contavam histórias, mas ela... ela desenhava. Ela desenha.

Era uma criança que descobriu uma paixão.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Situações

Eu estava sem assuntos para uma nova postagem no blog e quem diria que uma ida ao dentista me daria inspiração?

16:00 PM e meu destino estava traçado, sou pessoa considerada caseira, do tipo que só saí à pé se for realmente importante ou se não tem escapatória. E sempre, sempre que tenho que encarar uma das coisas mais detestáveis da minha vida, tenho caminhar para isso. Ir ao dentista.
Pode parecer coisa de criança, talvez seja, mas eu detesto ir ao dentista, porque sempre saio de lá com uma novidade ruim. Meu problema de cálcio deixa marcas claras nos meus dentinhos.
Hoje ao sair de casa meu estado de espírito estava calmo, calmo de mais eu diria. Percebi isso assim que atravessei a avenida na frente da minha casa, apesar dos carros e bicicletas apenas dois barulhos me chamaram atenção a ponto de me virar para saber o que era. Uma sacola plástica amarrada em uma cerca de arame e um copo (plástico também) esmagado voando com o vento. Barulhos imperceptíveis para o homem apressado de hoje.
A rua estava calma, não tinha muitos carros, tanto que nem tive que esperar para atravessá-la. Calma o suficiente para poder acompanhar a dança das árvores com o vento. Um vento não tão forte para ser considerado ventania, nem tão fraco para ser uma brisa, que fazia as palmeiras e os sombreiros dançarem em conjunto com sua orquestra pessoal.
Nessa rua, minha rua, há pelo menos quatro dentistas e obviamente o meu é o mais distante de todos. Não que isso signifique longe, só que é o último da minha direção. Ele está ali desde que me mudei anos atrás.
Se minha ida ao dentista fosse a introdução de um filme consigo vizualizar a câmera focada no meu tenis enquanto ando, depois na minha careta de sol, depois na sacola, no copo e nas árvores, para aí mostrar minha entrada no consultório, enquanto me preparo para sentar na cadeira azul e dura, no mesmo lugar que sempre me sento na salinha de espera e faço o que sempre faço enquanto espero, mexo nas unhas, com a cabeça baixa e só levanto o olhar para cumprimentar outros pacientes e a secretária. Se fosse um filme, nesse exato momento a câmera focaria meu susto com a nova secretária. A antiga estava lá desde que eu tinha nove anos! Como ousa mudar de secretária? Ela nem sabe meu nome.
Foi desesperador, acredite. Uma das poucas coisas que me acalmam ao ir ao dentista é ter a certeza que tudo estará do mesmo jeito de sempre, sem novidades ou surpresas. Fiquei aliviada quando soube que a antiga secretária ainda trabalhava ali.
Depois da consulta fui para casa, as árvores não cantavam mais, a sacola ainda estava amarrada e perdi o copo de vista.

post original escrito em 17/07/2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

Começo

Tentando obter algum contato alienígena... alô! alô!

Tentativa fracassada essa minha, tentarei pelo celular da próxima.

Isso só para tentar mandar um "Oi, sou nova aqui" para os poucos seres que devem estar lendo isso. Estou em fase de adaptação, por isso me sinto um ser estranho em local desconhecido. Mas me sinto assim quase que o tempo todo.

Eu não sei o que irei postar daqui uns dias, sobre quais assuntos irei tratar ou se só irei descrever como foi o meu tedioso dia, por isso (talvez) o título seja Mudando de assunto.

Minha inspiração acabou de fugir, então termino aqui.
Créditos a
www.sotaodab.blogspot.com por ter me convencido a criar um blog ;)