sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O peso

As mãos quentes entram em contraste com o metal frio. A força da coragem foi substituída pela fraqueza da covardia. O que antes estava firme, agora pesa toneladas. A idéia. A arma. Não seria capaz de matar um não-inseto. Não por falta de coragem. Não por falta de vontade. Por falta de gelo no copo de sentimentalismo.
Ela estava ali, sobre sua posse. Havia desejado tanto te-la. E agora? Só feriria o reflexo do espelho. Seu idealismo não permitia ao menos acabar consigo.
Por falta de coragem. Não de matar. Não de morrer. Mas de privar. Não seria capaz de privar um ser não-inseto de viver.

Naquele momento até mesmo uma barata parecia mais humana que ela. Naquele momento a arma deslizou de volta para sua imaginação. Seu coração - até então acelerado - voltou ao ritmo normal. Toda a angústia transbordou por seus olhos.

O metal frio na mão trêmula. A coragem num ser vazio. Era ela, sem ser.

Entre idéias impensáveis mais um desenho surge das trevas cerebrais.