sábado, 20 de dezembro de 2008

Continuando com os Maias...

Depois de andar por entre os blocos de concreto caídos, vendo fumaça em todos os lados, ouvindo gritos e carros apressados. Depois de presenciar o assassinato de tanta gente e coisa, disfrutar o roubo de um banco e ver dinheiro sendo queimado. Depois de ver os extremos tão de perto, a cura para doença alguma, a esperança de não sentir dor, mas já sentindo.
Depois de tudo isso, percebo que não quero ficar para ver o fim. É muito triste, eu sei, mas não sinto nada e isso me incomoda. Eu podia ter mudado o mundo se quisesse. Podia ter quebrado as regras, ter dado um soco em um tarado, atirado num assassino, surtado contra os egocentricos, abraçado os bichinhos, dado comida para quem não tem. Eu podia ter feito tanta coisa, mudado tanta gente, mas sempre achei que não poderia, que seria impossível devido minha condição financeira confortável de mais para mim perceber.
Mas que diferença faria agora? Eles querem vida e isso eu só tenho uma. A minha. E daqui a pouco não a terei mais.
Já chega de tanto desespero.

Fecho os olhos enquanto me sento na sombra de um prédio. Eu sinto o chão tremer e me sinto bem com isso. Já, já irá terminar.

Gritos ao longe. O prédio caiu.