terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Céu de cinza leve

Última colher. Botão vermelho. E o vapor da cafeteira não demorou para sair.
Enquanto isso o céu fica cinza. Fechando a cara de uma maneira simpática.
O cinza claro variava em tons, mas nunca deixava de ser claro.
Ela saiu.
O vento fazia dançar as folhas. E a atmosfera proporcionava a sensação de leveza.
Ela sorriu.
Sentiu a primeira gota tocar seu rosto. Sentiu o cheiro do pó de café em sua mão ao secá-la.
E então ela entrou em casa.
Lamentava ter que fechar as janelas. Lamentava ter que prender o pouquinho de liberdade do lado de fora.

Acabou o café. E o vento ainda chamava por ela.

---
Ignorem o título

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Não que tenha importância

Ela balançava os pés, daquele jeito distraído que não percebemos que estamos fazendo. Os pés livres que empurravam o ar num intervalo de tempo quase perfeito. Nada a prendia. Os botões da gola do vestido estavam abertos. Os cabelos soltos, não batiam no seu rosto, nem tampavam sua visão. Nenhum músculo de sua face segurava um sorriso que não queria estar ali. Nada a impedia.
Nenhum pensamento torto ocupava suas idéias. Nenhuma idéia ocupava seus pensamentos. Isso é o que chamam de paz interior? Não, isso é mais. É a medida certa de paz em cada poro, em cada ponto, em cada detalhe. Até a paisagem ao seu redor não estava presa a nenhum tipo de rotina.
Os grãos de areia voavam e dançavam com sua própria música. E o vento beijava tudo e todos sem compromisso. O sol aquecia na temperatura que julgava certa. As nuvens se posicionavam na sua desordem preferida.
Se ela não estivesse sentada à beira de um penhasco, diria que se tornaria uma imagem tediosa.
Mas lá estava ela. Ainda balançando os pés. Ainda séria. Ainda sem pensamentos ou idéias.
E só ali, naquele lugar, daquele jeito, ela era ela e nada mais importava.

Como se nada nunca tivesse realmente importado.