quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O problema do português do Brasil, não é ele ser mal falado, é ser mal pensado.

sábado, 4 de setembro de 2010

Conversa de bares batidos

-Eu não tenho tido muita paciência.
-Porque?
-Eu não sei, só sei que tenho sentido isso.
-Sentido impaciência?
-Não. Sentido aqui, oh. Dói.
-Mas... como?
-Muito.
-Oh.

Distraem-se com o momento de silencio e olham para os lados, sem procurar.

-Isso não é normal.
-O que?
-Dor de impaciência.
-Oh, é. Acho que não.
-Por que você não grita?
-Ahn? Ah, não, não gosto de gritar ou brigar. Então dói.
-Como assim?
-Oras, todo o ser humano fica impaciente quando não demonstra o corpo tem que reagir de alguma maneira, certo?
-Sim.
-Então o meu dói. E muito.
-Poxa!

Era aquele mesmo bar de tempos atrás, onde ele havia visto algo em alguém e ela saiu sorrindo logo em seguida.

-Eu estava com saudades.
-Eu também. (E sorriu)

E se encararam por um tempo. Se amavam de uma certa maneira, ele e ela. Eram um. Sem beijos e coisas chatas.

sábado, 7 de agosto de 2010

Querer

Quero menos grades invisíveis, menos tetos que reprimem,
Menos olhos cheios de dor.
Quero menos medo em corações, menos romances de verões,
Menos gente iludida.
Quero muito mais que a saída, mais que liberdade prometida,
Quero pele sem ferida.
Menos coragem máscula, menos confiança alheia,
Quero cavalos que sejam cinza.
E todo o tipo de mordomia.

Quero um fim sem poesia.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

-Oh, para mim todos têm corações congelados, olhos cinzentos e tomam amargura no café. Todos carregam dores incuráveis que os tornam pessoas terríveis. Todos são terríveis.
Para mim poucos são dignos de confiança, digo poucos para não parecer pessimista, mas se conto não completo duas mãos de dedos.
E infelizmente para mim, poucos sabem que não são dignos de confiança, e de amor, e de carinho. Pois todos acham que são bons de mais. E por isso eu menosprezo grande parte do que chamo de "todos".

-Mas para mim, poucos são os seres que são piores do que eu mesma.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Chega!

Não precisamos mais de poesia.

sábado, 26 de junho de 2010

É tão fácil cair do abismo.

Ou até mesmo ficar escondido em um buraco.

Basta... um... passo...

Difícil é permanecer ofegante no chão esparando por uma corda comprida o suficiente.

Finjo não esperar que me busquem e saio andando.













Mas era tudo o que eu queria.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Para ti

Posso cantar para você um romance que escrevi?
Sem indiretas, em linhas retas, onde escondi toda a frieza do coração.
Posso cantar para você qualquer coisa que te faça sorrir?
Só para poder ver uma música te deixar um pouco mais feliz.
Posso cantar meu pedido de desculpas, que com vergonha admiti?

Não quero cantar para alguém, pois sempre quis cantar para ti.

Nunca cantei para ninguém, com medo de não quereres ouvir.
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Antônimo de diabetes

sábado, 15 de maio de 2010

Circo

De palhaços, quem não tem?
Roupa colorida, revestida de babados.
Cascas de bananas; caindo de bumbum.

E palhaçada, quem não faz?
Nariz vermelho, maquiagem borrada.
Fugindo de leões e caindo de escadas.

E o maestro, quem ignora?
Não faz rir, mas também não chora.
Senta que lá vem história.

E tudo é vida, é circo sem lona.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tudo bem

Gravetos que arranham tornozelos nus.
Morros muito altos que fazem suar testas.
Sol muito quente que rouba ares.

Tudo bem, até aqui.

Mochilas com coisas leves e pesadas entortam colunas.
Sorrisos somem e línguas exaustas aparecem.
Muita luz faz fechar os olhos.

Tudo bem, tudo bem.

É como encarar o impossível dando risada.
Mas afinal estamos na vida para isso.
Enfrentamos tantas subidas

Sozinhos. Tudo bem. Até agora.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Daqui da poltrona

E não é lindo? Essa coisa que nos faz querer vomitar.
Que nos faz acreditar que em todo o mundo não existe mais ninguém, nem você, só aquele tal alguém.
E por isso a vida seria impossível sem.

É, é realmente lindo. Pelo menos para quem observa a anos a fio. Como que assistindo a algum filme no cinema, com análises, sem legendas.

E pode até ser doloroso para quem sofre, pois toda boa história de amor tem que ter uma boa dose de dor. E não há, nem parto, nem pedras na vesícula, que superem esse tipo de sofrimento.

Mas continua lindo, mesmo assim, vendo daqui da minha poltrona do cinema. Um filme que nunca foi lançado, o seu.

E por muitas vezes os atores avançam a tela e perguntam ao espectador "Por favor, conte-me o que acontece a seguir" nos implorando por ajuda.
E eu, que assisto a míseros três anos, sei muito bem o que falar, mas não o digo.
É ai onde se esconde toda a beleza.

Mas um filme que é assistido por inúmeras vezes a mesma história cansa.
E faz desejar quem assiste, um pouco daquela beleza nessa vida triste.
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Tem um vazio bem aqui.