sábado, 23 de janeiro de 2010

Tudo bem

Gravetos que arranham tornozelos nus.
Morros muito altos que fazem suar testas.
Sol muito quente que rouba ares.

Tudo bem, até aqui.

Mochilas com coisas leves e pesadas entortam colunas.
Sorrisos somem e línguas exaustas aparecem.
Muita luz faz fechar os olhos.

Tudo bem, tudo bem.

É como encarar o impossível dando risada.
Mas afinal estamos na vida para isso.
Enfrentamos tantas subidas

Sozinhos. Tudo bem. Até agora.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Daqui da poltrona

E não é lindo? Essa coisa que nos faz querer vomitar.
Que nos faz acreditar que em todo o mundo não existe mais ninguém, nem você, só aquele tal alguém.
E por isso a vida seria impossível sem.

É, é realmente lindo. Pelo menos para quem observa a anos a fio. Como que assistindo a algum filme no cinema, com análises, sem legendas.

E pode até ser doloroso para quem sofre, pois toda boa história de amor tem que ter uma boa dose de dor. E não há, nem parto, nem pedras na vesícula, que superem esse tipo de sofrimento.

Mas continua lindo, mesmo assim, vendo daqui da minha poltrona do cinema. Um filme que nunca foi lançado, o seu.

E por muitas vezes os atores avançam a tela e perguntam ao espectador "Por favor, conte-me o que acontece a seguir" nos implorando por ajuda.
E eu, que assisto a míseros três anos, sei muito bem o que falar, mas não o digo.
É ai onde se esconde toda a beleza.

Mas um filme que é assistido por inúmeras vezes a mesma história cansa.
E faz desejar quem assiste, um pouco daquela beleza nessa vida triste.
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Tem um vazio bem aqui.